segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A vida dá voltas e a minha passa a vida a girar...


Tenho andado pela blogosfera mas muito caladinha porque nem sabia por onde começar.
Na realidade tenho imensas coisas para contar, já não vou mudar de casa, arranjei uma colega de casa maravilhosa, já não vou para o Congo, ando morta á procura de um trabalho que me pague um salário minimamente decente(sonhar não custa nada) mas não estava a conseguir  expressar tanta coisa por palavras. 
Ás vezes até as palavras nos falham.

Sempre fui uma criança persistente, eu digo persistente o meu pai diz que eu sou teimosa. Nunca, pelo menos não que me lembre, desisti de uma ideia. Muitas vezes irritava-me, encontrava um obstáculo e chorava e logo arregaçava as mangas e ia de novo a luta.

Acho que em parte foi esta maneira de ser que me fez ultrapassar a morte da minha mãe, também foi a minha maneira de ser que me levou a aguentar trabalhos diversos que me faziam mal á alma e ao espírito mas pagavam as contas. Sempre fui má perdedora, a ideia de me deixar ficar agoniava-me.

O meu maior sonho desde que me conheço por gente era ir para a faculdade. Cresci numa família que dava importância a isso, cresci incumbida de completar essa missão.
Nunca fui uma excelente aluna mas tinha boas notas, esforçava-me, estudava, e trabalhava. Literatura era a minha paixão mas a ciência sempre conseguiu captar a atenção da minha pessoa melhor que nada. Após a doença da minha mãe e de ver as enfermeiras do hospital achei que daria uma boa enfermeira. Ajudar alguém numa altura má da vida parecia-me ser algo que eu conseguiria fazer para o resto da minha vida. Isso e ir para terras longínquas ajudar os mais pobres.

Depois de acabar a escola tentei tudo e mais alguma coisa para entrar na faculdade mas nunca me deparei com tamanhos impedimentos, ou era porque o meu diploma era de uma escola internacional, ou por não ser portuguesa, porque as minha notas não eram boas, faltava-me isto e aquilo. Tentei no meu país mas os Estados Unidos não são para mim, ir viver para lá ia fazer de mim uma pessoa triste, a minha vida é diferente e adaptar-me ao estilo de vida americano ia ser demasiado difícil para mim. Sobrava-me Inglaterra, é aqui perto, tem boas faculdades e depois de um processo moroso e stressante recebi a bela resposta de que me faltava uma cadeira de biologia e que se quisesse entrar tinha que repetir o secundário. Ia-me dando o fanico. Desisti!
Após 4 anos de luta constante não tinha mais forças, nem paciência, nem argumentos para continuar a perseguir um sonho que teimava em fugir-me por entre os dedos.
Nunca me lembrei de tentar a privada, nunca pensei nisso porque pessoas com salários mínimos e casas com rendas altas e contas para pagar não pensam nisso, a não ser que não tenham outra hipótese. Desperate times, desperate measures!

Por empurrão de uma amiga lá telefonei eu a achar que dali não saia nada, que me iam exigir exames nacionais que não tinha, implicar com o diploma, ou perguntar-me se eu não estava parva por pensar que sequer havia tal possibilidade. Mas não foi isso que aconteceu. Explicaram-me que ainda tinham vagas, que eu era mais que bem vinda a inscrever-me, que tinha que assinar um papel em como apresentaria os resultados do meu exame nacional ao inscrever-me para o 2º ano de enfermagem mas que até lá podia assistir ás aulas e fazer o meu primeiro ano normalmente, o meu diploma foi aceite e eu desliguei o telefone em tal estado que só me dava para chorar. 4 anos não sei eu quantos "NÃO" na minha cara, portas a fecharem-se mas a minha persistência rendeu o seu fruto e em Março lá vou eu para a faculdade com a minha amiga do empurrãozinho para ser uma senhora enfermeira.

A viagem que tinha planeada para o Congo teve que ser cancelada e embora saiba que iria ser uma experiência fantástica não ia completar-me da maneira que estar na faculdade me completa. Que embora fosse ajudar, e que ia para um lugar onde acreditem toda a ajuda é necessária, não iria sentir o nível de felicidade que estou a sentir agora.
Sair do meu apartamento deixou de ser uma opção porque preciso mesmo de uma casa e então assim do nada uma amiga decidiu que queria mudar-se e que a minha casa era um bom sitio. Em Dezembro tenho uma nova colega.
Tudo o que foi empacotado agora tem que ser desempacotado mas vai ser de espírito leve que o irei fazer e feliz, feliz porque todo o sacrifício surtiu efeito.

Não sei explicar o porquê das coisas, sinceramente o porquê nem sequer me interessa. Não quero saber do como, nem do quando, nem do onde, só me interessa que consegui.
Deus tem o seu plano e eu acredito nesse plano, acredito que com 25 anos já poderia ter o curso feito, casado e tido uma penca de filhos e se calhar se assim fosse não tinha feito metade do que pude fazer, ou ver metade do que vi.
Se é frustrante ás vezes? Claro, muitas vezes é frustrante, há nossa volta é ver os nossos amigos a entrar na faculdade, graduar, namorar, casar, ter bebés e nós, nós continuamos a trabalhar numa loja de shopping para pagar contas, chegamos a casa rotas e de tal maneira cansadas que a última coisa que queremos é namorar, queremos é estar sozinhas, que nos deixem em paz. 
Algumas conformam-se, e eu ás vezes penso se não seria melhor ter-me conformado também mas quando penso naquiloem que eu me teria transformado agradeço a Deus nunca o ter feito.
Tenho 25 anos, uma casa, uma colega de casa fantástica, um namorado maravilhoso, uma família emprestada  que nunca desistiu de mim e finalmente consegui fazer aquilo que mais queria, entrar na faculdade, e aquilo que me faz dar o devido valor a isso foram os 7 anos horripilantes de shopping a fazer o que não gostava.
Fazia o que não gostava mas dava sempre o meu melhor, se tiver que para lá voltar durante estes 4 anos de faculdade volto e darei sempre o meu melhor porque esse trabalho vai pagar-me a faculdade(que é cara que se farta) e se calhar desta vez vou olhar para o meu trabalho e vou agradecer-lhe porque me ensinou o valor a dar ao que realmente queremos.

Acredito que a chave para o sucesso está em nunca desistir. Se mais nada deste post ficar ou interessar que fique esta mensagem. Nunca desistir!

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