quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Eu AMO A SCOTTURB

Como a menina aqui anda ainda á pala dos transportes porque ainda não tem a carta a CP e a Scotturb são o meu meio de transporte.

Ora eu que trabalho a recibos verdes e dou graças a Deus sequer ter trabalho, e apesar de hoje não ter que dar aulas tenho que planear aulas, explicações, uma viagem em trabalho para Londres para a semana e como tal tenho que deixar tudo preparado.

Estava eu já a entrar em pânico a achar que hoje estava lixada(desculpem o termo) e que não ia conseguir fazer metade das coisas que tenho para fazer quando descobri que ninguém na scotturb the Cascais não fez greve. E eu sou uma mulher semi-feliz, sim porque não se pode ter tudo.

Eu entendo que estejam a lutar pelos seus direitos, não entendo é em como esta greve geral ajuda em alguma coisa.

Mas talvez seja eu a burrinha da política.

De qualquer maneira gosto dos senhores motoristas da scotturb que estão a produzir e ajudar os outros a produzir principalmente aqueles que não tem escolha.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

E PASSEI

Está carta de condução anda a ser um mega stress na minha vida e por vezes serve também como atestado de burrice(pelo menos é assim que me faz sentir).

Mas hoje,HOJE, meus amigos eu passei no Exame de Código e estou TÃOOOO mas TÃOOOO feliz que não passa pela cabeça de ninguém.

Mais uma meta na minha vida :)

E venha agora a condução!

sábado, 19 de novembro de 2011

Hoje

Hoje dei por mim a pensar nas coisas que eu achava que me iriam fazer feliz há uns anos atrás.
E estive um bom tempo a pensar nelas e a rir-me com os meus botões.

Tudo isto estava-se a passar pela minha mente enquanto dobrava meias e roupa interior que não é a minha.
E me apercebi que estava realmente feliz, sentada naquele sofá a fazer coisas tão mundanas como dobrar meias e roupa interior que não é a minha.

Hoje foi um bom dia, um dia feliz, até porque o strogonoff do almoço e os cupcakes de aniversário do love sairam bem e fui elogiada e ser elogiada sabe sempre bem :D

Nem a chuva e o temporal lá fora me tiram este calorzinho da alma e do coração.

Aproveitem.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Voz



 (All Rights Reserved to The Red Thread Movement)



Somos responsáveis por aquilo que sabemos!


  O meu nome e Amisha.
Quando tinha 12 anos vivia numa pequena vila com a minha família. Estudei até ao sexto ano mas a minha família não tinha dinheiro para que eu pudesse completar os meus estudos. Ajudava os meus pais com o trabalho, eles estavam felizes comigo mas eu não estava feliz porque continuávamos sem dinheiro.
Até que um dia um estranho veio até a nossa vila e pediu-me em casamento, eu estava com medo e disse que não, mas ele não desistiu. Os meus pais obrigaram-me a casar com ele, ele tinha 26 anos. Ele pediu-me para ir com ele para a Índia e prometeu-me que seriamos muito felizes lá. Quando chegámos á fronteira o meu “marido” vendeu-me a outro traficante. Esse traficante levou-me a pé até á Índia.
Acabei em Bombay aonde fui vendida a um homem que me mantinha em sua casa. Durante três dias não comi nada e esse homem trazia os seus amigos até mim para que abusassem de mim.
Esse traficante vendeu-me a um dono de um bordel que me disse que eu tinha que lhe pagar um dívida de $700 tendo relações sexuais com qualquer homem que ele me trouxesse.
Eu respondi-lhe que não e ele e os seus amigos violaram-me uns a seguir aos outros.
Puseram-me num quarto com outras 70 meninas Nepalesas. Dormíamos em pequenos colchões todos sujos e as nossas camas estavam separadas por lençóis. Eles mandavam á volta de 20-25 homens por dia para abusarem de nós.
Primeiro rejeitava os clientes mas de cada vez que o fazia batiam-me até sangrar ou até partirem-me as costelas.
Davam-me drogas para me manter sedada. Estive lá durante 4 anos. Até que me venderam a outro dono de um bordel que me disse que eu tinha que pagar uma dívida, eu nunca vi nenhum desse dinheiro. Estive grávida duas vezes e das duas vezes eles obrigaram-me a abortar.
Aos 19 anos descobriram que eu tinha HIV e fui deixada nas ruas, prostitui-me para tentar arranjar algum dinheiro para poder voltar para casa, após apenas dois meses voltaram a apanhar-me e voltaram a vender-me.”

Amisha é uma menina de verdade, mas esta não é a sua verdadeira história. Ela foi resgatada na fronteira pelo staff da KIN e ficou alojada numa casa de apoio antes de voltar para casa. Mas para tantas outras meninas que não são resgatadas a primeira história é a sua realidade. Estas meninas mesmo depois de serem resgatadas, muitas vezes têm tanto medo e tanta vergonha de contar as suas histórias. Aqueles que são escravizados mantêm o silêncio para que possam sobreviver. Para cada menina que conta a sua história existem milhares que irão manter o silêncio.

Você pode ser a voz destas meninas. Partilhe a sua história.

( Traduzido do panfleto The Red Thread Movement)

Conheci o The Red Thread Movement no lançamento de CD de uma banda de uns amigos. Estavam a vender as pulseiras á porta e como quem estava a vende-las era uma das minhas amigas comprei uma e comecei a fazer perguntas.
O The Red Thread Movement é uma organização fundada por três estudantes universitárias americanas que divulga informação sobre o tráfico humano e a prostituição de mulheres e meninas neste caso do Nepal. Mas este não é um problema que aflige só o Nepal, é um problema a nível mundial e do qual se fala pouco comparando-o com o tráfico de armas ou de drogas.

Estes são alguns factos que aparecem em imensas publicações e no panfleto em questão. Vamos lê-lo mantendo em mente de que somos responsáveis por aquilo que sabemos.

·      Existe um maior número de pessoas escravizadas em pleno século XXI do que no topo da era do comercio de escravos.
·      Adultos e crianças em trabalho forçado e prostituição á volta do mundo: 12.3 milhões ( Relatório de pessoas Traficadas, 2010)
·      A seguir ás drogas, o tráfico humano, é o segundo maior negocio criminoso. ( Departamento de Estado do E.U.A)
·      O mercado global do tráfico de crianças lucra para mais de 12 bilhões de dólares, e mais de 2 milhões de vitimas são crianças (UNICEF)
·      Existem mais de 300,000 crianças em risco por ano para serem exploradas na industria do sexo. (Departamento de Justiça dos E.U.A)
·      A idade média de entrada na industria do sexo é de 12 anos. (Departamento de Justiça do E.U.A)
·      Foi estimado que 100,000 menores são envolvidos na industria do sexo nos Estados Unidos da América (Projecto Polaris)
·      Aproximadamente 80% da vitimas de tráfico humano são mulheres e meninas...50% destas são menores. ( Departamento de Estado do E.U.A)
·      Um número estimado de 30-40,00 mulheres e meninas são traficadas do Nepal para a Índia todos os anos ( embora a maior parte dos documentos diga que o número é de 12,000  outras ONG’s  Nepalesas incluindo a KIN, estimam que o numero seja maior baseado no número de situações de trafico humano com as quais têm lidado nas unidades das fronteiras diariamente)
·      Num único Distrito Vermelho em Mumbai existem aproximadamente 20,000 meninas Nepalesas em prostituição forçada (KIN)
·      Aos 16 anos aproximadamente 60% das meninas Nepalesas nestes bordeis em Mumbai terão contraído HIV. (KIN)

Estes números são assustadores.
Neste caso especifico o Red Thread Movement foca-se nas meninas do Nepal, mas ao nosso lado , bem á frente dos nossos narizes pode estar a acontecer.

Como já havia mencionado isto é uma situação global.
Estamos todos vulneráveis mas mais ainda sendo mulheres.
A pobreza, a guerra, desastres naturais, ser órfã, viver na rua, as leis de emigração de cada pais ( ás vezes por não poderem mover-se legalmente num determinado pais e ter que viver ás escondidas há uma susceptibilidade maior  para este tipo de crime), pessoas que se aproximam de nós com interesse romântico, e não esqueçamos a procura (só se pode vender aquilo que querem comprar), o dinheiro (traficantes são motivado por dinheiro. Quantas vezes se pode vender uma bala ilegal?? Mas quantas vezes se pode vender uma menina de 13 anos? As pessoas podem ser vendidas inúmeras vezes o que faz com que o tráfico humano seja bastante lucrativo).

Para que este problema seja ainda mais real aqui estão alguns factos sobre o tráfico humano na U.E.

A Bulgária é uma fonte de tráfico humano e também um país de transito( países por onde as vitimas passam antes de chegarem ao seu destino final). As vitimas são traficadas a partir do Médio Oriente, Ucrânia, Moldávia e Roménia passando através da Bulgária para a Alemanha, Bélgica, França, Itália, Espanha, Áustria, Noruega, Republica Checa, Polónia, Grécia, Turquia e Bulgária. ( Fonte: http://news.xinhuanet.com/english/2010-01/11/content_12791369.htm )

A França é o país de destino para mulheres e meninas traficadas para exploração sexual da Roménia, Bulgária, Albânia, Nigéria, Serra Leoa, Camarões, Malásia e outros países da Ásia. (Fonte: http://gvnet.com/humantrafficking/France-2.htm )

Mesmo depois de verem está informação podem estar a pensar “Mas o que é que posso fazer?” “ De certeza que não há muito que EU possa fazer.”

Aí é onde se enganam, HÁ muito que pode ser feito que não é feito pela policia, ou pelo os serviços de emigração.

Nós podemos dar voz a estas meninas, a estas mulheres, a estas pessoas.

Contar a sua história partilhar estes factos, aderir a diferentes campanhas.

Espanha e Portugal (sim o nosso Portugal) são países de transito. Enquanto eu escrevo estas palavras muitas mulheres estão no nosso pias clandestinamente á espera para serem traficadas para o pais de destino.

Organizações como o The Red Thread Movement e o Stop The Traffik dão toda a informação necessária.

Espalhar a palavra e ter pessoas em locais como fronteiras e alfandegas preparadas para ver os sinais de perigo é importante.

Informar a nossa comunidades, as nossas crianças, os nossos adolescentes para este potencial perigo é importante. (Imaginem se alguém tivesse falado a estas meninas e a estas mulheres?)

Eu uso a pulseira vermelha do The Red Thread Movement, e sim é só uma pulseira mas quando eu olho para a minha pulseira e SEI que foi uma menina Nepalesa resgatada do tráfico humano que a fez numa das casas de apoio no Nepal a minha pulseira deixa de ser SÓ uma pulseira e passa a ser uma lembrança de que Eu Posso Ser A Voz Dessas Meninas. Eu posso contar a sua história e ao contar a sua história eu posso salvar uma vida.
Por cada pulseira vendida (custam 2 euros) os fundos revertem integralmente para a construção de casas de apoio e abrigo para estas meninas do Nepal.



A maior parte dos traficantes não é condenado porque estas meninas tem medo, tem vergonha, estão traumatizadas e só querem esquecer os horrores por que passaram. Torna-se então o minha responsabilidade porque sei das suas historias não deixá-los sair impunes.

Somos responsáveis por aquilo que sabemos... a minha pulseira vermelha é uma lembrança disso.






(Toda a informação neste post foi tirada do panfleto do The Red Thread Movement e do site do Stop Traffik)



Agora que já sabem vão continuar em silêncio?



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

“You can live your whole life not realizing that what you're looking for is right in front of you.” ― David Nicholls, One Day

E é este pensamento que me enche de medo. Aquele medo que nos faz suar frio.

É nisto que eu fico acordada a pensar ás 3 da manhã.

E porquê perguntam vocês?

Porque sou parva que doí...

Exactamente isso.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Tempo


Lembro-me  uns treze ou catorze anos e de a minha mãe me dizer para “Não apressar o tempo”. Acho que essa frase surgiu porque eu com essa idade passava a vida a sonhar com os meus 18, ser adulta, ir para a faculdade, viver sozinha, ter carta. Sonhava então com a minha independência.
O problema da independência é que nós só vemos a parte boa, não existe razão nenhuma para ver que vamos estar sozinhos, com contas para pagar, num trabalho que não gostamos a tentar não nos afundar. Essa parte ninguém nos dá a conhecer.

Eu conquistei a minha independência aos 17 anos a minha mãe faleceu(faleceu odeio essa palavra, morreu pronto) quando eu tinha 16 anos e o meu pai voltou para a sua terra natal e o meu irmão mais novo foi estudar para fora. Pois é ninguém nos avisa.
Quando recebi o meu primeiro salário e embora estivesse habituada a gerir uma casa nunca tinha tido tanto dinheiro só para mim. Depois de pagar a renda de um quartinho manhoso em Lisboa resolvi que havia de ser feliz, e fui durante duas semanas, até que o dinheiro acabou e andei o resto do mês a nestum e pão e já foi com muita sorte. Aprendi.

Mas ao 17 ainda era uma miúda, que se achava, mas uma miúda. Não que agora com 25 anos me ache muito velha, não acho, embora já não tenha vontade nenhuma de fazer o que fiz dos 17 aos 21 anos. Já me sabe bem estar sozinha em casa, já me sabe bem o livro e o chá em vez do vodka e do gin, sabe-me bem o silêncio em vez das batidas da noite. Não estou velha estou sensata :P
Aos 17 anos tinha a certeza que tinha todo o tempo do mundo para fazer aquilo que me apetecesse. Não foi por achar isso que não me empenhei, mas se calhar o esforço não foi tanto como o que estou a despender agora.

Entrei em enfermagem este ano, um sonho antigo do qual eu já havia desistido. Já tinha tentado de tudo, aqui e no estrangeiro mas por uma ou outra razão não conseguia nada ou não havia dinheiro, ou logo eu me punha a pensar no “Como vou eu fazer isto?”. No dia que desliguei o telefonema com a faculdade, no qual eles me disseram que podia me inscrever para o primeiro ano sem problema nenhum chorei. Chorei de alegria e de tanta frustração acumulada por tanta, tanta coisa.

Eu sei que a minha pessoa de 25 anos dá muito mais valor a esta conquista, se vai esforçar mais, e está disposta a fazer sacrifícios que a minha pessoa de 17 anos nem sequer sonhava possível.
“Não apresses o tempo.”
Não apressei, acabei até por atrasar, outras prioridades fizeram a sua casa no meu coração e agora a minha pessoa de 25 anos vai ter que as saber gerir.

O tempo as vezes escorre-nos pelos dedos e nós nem damos conta porque continuamos a pensar que temos todo o tempo do mundo.
Mas a verdade é que o tempo é que nos tem todos na mão.
É obvio para mim, agora, não era antes e não faz mal.
Maioritariamente foi nisto que passei o dia ontem a contemplar após terminar o tal livro que vos falei.
É esse desperdiçar que me mata, é esse achar que vamos viver para sempre.
Eu acredito que a total felicidade ainda está para vir, depois da morte, mas quero saber que vou e que deixo um legado, qualquer coisa.
E espero sinceramente que esse legado não sejam as historias dos copos de vodka e de gin, dos beijos as escondidas em vãos de escada e bares escuros, os cigarros fumados ás escondidas ou a roupa que tinha vestida, as parvoeiras que disse ou as asneiras que fiz.

Como dizia no livro “viver apaixonadamente, completamente e bem. Apreciar os meus amigos...amar e ser amada.”

É tão simples...

Já entendo o “Não apresses o tempo” da minha mãe ;)